Escritor de Boa Nova lança livro em Poções nesta sexta-feira (29)

Autor de dois outros romances, Pedro Freire apresentará ao público sua nova obra “Mas o Existido Continua a Doer Eternamente”
Por Leila Costa
Publicado em 27/08/2025

Na próxima sexta-feira (29/08), o escritor Pedro Freire Botelho lançará o seu mais novo livro, “Mas o Existido Continua a Doer Eternamente”, em um evento no bar Havana Texas Club, em Poções, a partir das 19 horas.

O terceiro romance da carreira do escritor conta a história de Dani, um jovem que viaja para uma pequena comunidade rural em busca de descanso e reconexão consigo mesmo. Lá, a convivência envolvendo desafios e simplicidade o coloca em contato com novas emoções e dores antigas. Esse contato com a natureza também leva novas possibilidades de amor e cura para a vida do personagem.

“O livro é essa descoberta do lugar e, ao mesmo tempo, essa interiorização consigo mesmo daquilo tudo que ele tá trazendo. Quando eu estava escrevendo, eu queria falar sobre um relacionamento gay, mas sem aquele entrave da descoberta, da ‘saída do armário’, da dor. Eu queria uma pessoa gay vivendo sua vida plenamente, trabalhando, pagando suas contas, morando com outra pessoa, brigando e divorciando”, explica. 

O evento de lançamento também terá um bate-papo com o professor Dr. Célio Silva Meira e o cientista social Juarez Oliveira, vendas de livros e sessão de autógrafos.

Conheça o escritor

Pedro Freire Botelho é um historiador e mestre em história que nasceu na zona rural do Lagoão-Valentim, município de Boa Nova-Ba. A trajetória como escritor não começou de uma hora para outra. Desde pequeno, Pedro tinha um mundo particular, e a infância na comunidade rural dava a ele possibilidades de criar fantasias e mundos, enquanto andava pelas matas e cachoeiras da região.  

Pedro Freire, escritor Foto: Maria Eduarda Botelho

Diferentes das crianças da cidade, na infância, Pedro não teve muito contato com os livros, visto que na zona rural ele não tinha acesso a bibliotecas e suas inspirações vinham de novelas e músicas. “Eu via as novelas e criava ficções na minha cabeça, inventava que eu tava naqueles lugares. Outra coisa que me inspirava muito era a música, eu ficava um bom tempo ouvindo MPB, buscando, no dicionário, o significado das palavras de canções de Gil, de Caetano, Djavan e Chico Buarque. Aquilo, para mim, era literatura pura”, explica Pedro.

Os livros só passaram a ser presentes na vida de Pedro no ensino médio, quando começou a ler alguns clássicos da literatura brasileira e a discutir o que lia com os amigos. Mas foi na faculdade que conheceu outros campos da leitura como a filosofia, o que revolucionou a sua sede de conhecimento.

“Veio escritores como Albert Camus que, quando eu li, fiquei louco com essa coisa da filosofia e da literatura. Eu estudei dois anos de filosofia por causa do seminário católico que eu fui, aquilo foi uma loucura quando eu comecei a estudar eu li tudo, misturava tudo, filosofia antiga, filosofia moderna e contemporânea”, diz.

Pedro Freire começou a escrever ainda na adolescência, ele escrevia suas emoções em pensamentos soltos. “Agora para começar a escrever mesmo foi um trabalho duro de aceitação, eu comecei a aceitar que era possível escrever, que era possível ser escritor e que eu escrevia”. 

Além de “Mas o Existido Continua a Doer Eternamente”, Pedro é autor de dois outros livros, “Quero o Valentim, Meu Bem” e Atiraste Uma Pedra”, lançados em 2022 e 2021, respectivamente. Além do catálogo “Percepções do Sagrado”, em 2017. “‘Atiraste Uma Pedra’ foi o primeiro a ser escrito e ele surgiu dos meus escritos da época que eu era do seminário. Eu escrevia muito quando eu já estava decidido a sair do seminário, então eu tinha tudo isso guardado em uma pasta datilografada.  Um pouco antes da pandemia eu comecei a revisitar isso e reler e comecei a escrever, mostrei a uma amiga e ela me incentivou a continuar”.

O escritor conta que começou a ler sobre autoficção, e em como transformar elementos da sua vida vivida em algo ficcional.

“‘Quero Valentim, Meu Bem’ é uma obra ficcionalizada e conta a história de Teodora, uma mulher que tinha um bordel nos anos 80,90 e era muito famosa aqui no Valentim. Essa casa teve que fechar, porque o sexo já não era proibido e até os casais já abriram para a terceira pessoa na relação e o bordel perdeu o sentido. O livro começa com a chegada Murilo em sua casa, dizendo que é o neto dela e que necessita ficar lá com ela por alguns motivos. Com essa chegada, eu vou contando essa relação entre ,Teodora essa senhora ex prostituta, com esse Murilo”, explica.

Todos os livros do escritor nasceram de forma autônoma, sem parcerias com editoras. Cada publicação foi financiada pelo seu trabalho ou pelo apoio de leitores com nas pré-vendas. “Eu brinco que eu sou mãe e pai solteiro. É muito difícil, mesmo com as editoras pequenas, é difícil. O sonho é publicar com uma editora grande, que possa assinar um contrato e eles gerenciar a carreira e você fica só escrevendo”.

Pedro também trabalha com produção cultural e viaja para outros lugares, inclusive para fora do Brasil. Mesmo com os desafios que enfrentou na carreira como escritor em uma cidade pequena, Pedro conta que a tranquilidade do lugar atrelada a sua geografia – com o barulho dos rios e cachoeiras e as matas – são importantes no seu processo de escrita. “Como escritor há uma dificuldade em todo Brasil e, em um lugar pequeno, tem essa dificuldade de conquistar leitores e fazer com que as pessoas leiam, mas acho que o que me interessa aqui também é o silêncio, o entorno que dá para escrever.”

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