Está em cartaz, até 4 de dezembro, a exposição “Bori, Orô e Alguns Ebós”, que reúne obras do artista visual cearense Capim. A exposição teve início em 7 de novembro, como lançamento no casarão da Cultura, e marcou o início das comemorações do Novembro Negro no município.
A exposição entrelaça a arte com as vivências do artista no candomblé, ambos nascem simultaneamente em sua vida. “Eu comecei a pintar ao mesmo tempo que comecei a visitar os terreiros de Candomblé da minha cidade. Toda a visualidade do Candomblé me encantou de uma forma que impactou minha vida para sempre. Foi quando me tornei artista, e senti que precisava mostrar para as pessoas aquilo que eu estava vivendo”, revela Capim.
A exposição tem curadoria da professora Vandinha Silva, e foi por meio dela que a mostra chegou a Poções. “A ideia surgiu da minha mãe pequena, minha madrinha no Candomblé. Ela vive aqui em Poções, e frequenta o mesmo terreiro que eu, lá em Vitória da Conquista”.
Vandinha conta que sempre admirou o trabalho de Capim e, a partir da sua vivência no Candomblé e de acompanhar de perto a obra do artista, sentiu que precisava trazê-lo para a cidade. “O mundo precisa conhecer Capim, e o mundo parte de mim, o mundo parte. Do meu lugar, e o meu lugar precisa conhecer Capim”.

A exposição marcou o início das comemorações realizadas no mês de novembro em Poções. “A gente está falando sobre uma data tão importante para o povo preto no Brasil, na Bahia e também em Poções. Então, um artista sensível, que traz na sua obra todo respeito a uma ancestralidade, todo respeito a uma ritualística, todo amor que ele tem pela religiosidade, é extremamente necessário”, explica Vandinha Silva.
Para o artista, “Bori, Orô e Outros Ebós”, além de mostrar telas que refletem cerimônias, ritos, mitos e práticas religiosas, também mostram manifestações artísticas, culturais e sobre a identidade de um povo.
A exposição pode ser conferida gratuitamente, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h.
Quem é Capim?
Capim é um artista visual autodidata, nasceu no estado do Ceará, radicou-se na Bahia e atualmente mora em Vitória da Conquista.
Desde criança, Capim cresceu com a presença marcante de símbolos religiosos. Em sua arte, tem como principal inspiração o artista, pesquisador, escritor, historiador e jornalista argentino-brasileiro Carybé. “Gosto de Carybé, de como ele representa os orixás e o candomblé de forma perfeita. Ele é minha principal influência”, diz.
