O filme baiano Sonho de Arrocha será exibido hoje no programa Tela Quente da rede Globo. Produzido e gravado na Bahia, o longa acompanha a jornada de Biel, um menino de 12 anos que sonha ser cantor de arrocha em Salvador. Com direção de Marcos Alexandre e elenco com nomes como Gui Nery, Clara Paixão, Mônica Anjos e Thiago Acioli Leite, a obra também contou com a participação do poçõense Antony Soares.
Antony Soares é ator, poeta, roteirista, diretor, contista e produtor cultural. No filme, atuou como produtor de elenco e conta que seu papel foi garantir que o elenco fosse um reflexo fiel das pessoas da Bahia. “Meu trabalho consistiu em fugir do padrão de formulários genéricos que excluem quem não tem acesso tecnológico fácil. Fiz um garimpo pessoal e longo em pequenos grupos de teatro de Salvador, conversei com os vizinhos de onde iríamos gravar e, em uma busca muito íntima que Marcos Alexandre (diretor) abraçou desde o início, mergulhamos dentro dos terreiros e associações”.

Sonho de Arrocha é uma história sobre música; um mergulho na alma da periferia baiana e na força dos laços familiares. Na história, o avô do protagonista foi um antigo cantor de seresta, e a trama acompanha essa jornada marcada por sonho, fé e desafios. “Biel nos ensina que, mesmo com as cicatrizes do passado (como os medos da avó Joaquina), a música e a fé são ferramentas de libertação”, conta Antony.
O ator Gui Nery é o responsável por dar vida a Biel na trama e explica que para ele, representar o protagonista do longa, foi uma experiência que viveu com naturalidade, justamente por aquele contexto fazer parte da sua realidade. “A realidade do salvador, desde pequeno, é nascer convivendo com ritmo arrocha, pois, em vários lugares, na periferia, é muito provável que qualquer pessoa esteja escutando arrocha. Simone Moreno, que está mais em alta, Nadson o Ferinha, Pablo e Asas Livres”, justifica Gui Nery.

Para Atony Soares, ver Sonho de Arrocha ser exibido na TV Globo é a realização de um ciclo e prova que a estética, o sotaque e o arrocha baiano não são apenas “regionais”, são universais. “Ver a nossa gente ocupando esse espaço é dizer para o Brasil que o cinema feito na Bahia tem força, tem técnica e, acima de tudo, tem alma. Para mim, intimamente, é ainda mais gratificante quando a equipe é montada quase que inteiramente de pessoas baianas, isso potencializa muito o projeto e seus resultados”.
Antony acredita que a exibição da obra no programa Tela Quente é um divisor de águas para a obra. “Ela sinaliza para o mercado e para os grandes players que existe uma demanda reprimida por histórias que fujam do eixo Rio-São Paulo. Para as novas produções, o impacto é de encorajamento. O cineasta que está em Vitória da Conquista, em Poções ou em Itabuna, hoje olha para a tela e entende que o caminho é possível”.
