Baixo volume de chuva em 2023 afetou a vida de moradores da zona rural de Poções com a falta d’água

Por Andressa Lemos, Ana Clara Silva, Elivania  Fonseca, Gustavo  Brito e Zelândia  Alves*
Publicado em 23/01/2024

“Nós estávamos convivendo com água da chuva, a chuva parou, só tá muito é sol, a gente tá sentindo precisão de tudo, ainda mais da água”, conta a aposentada e moradora da região da Pedra Preta, Maurina Moreira de Jesus. A seca e a falta de chuvas entre os meses de julho e novembro de 2023,  afetou o dia a dia de muitos moradores de Poções, especialmente aqueles que residem na zona rural do sertão e não dispõe de um sistema de água encanada. 

Segundo o Boletim Mensal 22 de dezembro de 2023 do PAINEL EL NIÑO 2023-2024, a precipitação trimestral correspondente aos meses de setembro, outubro e novembro e também a precipitação dos últimos 6 meses “identifica-se um aumento na intensidade das secas nos setores mais a oeste da Região Norte e também em parte da Região Nordeste, na Bahia, principalmente”. O documento aponta ainda que, de outubro para novembro, o Monitor de Secas indicou o avanço e o agravamento da condição de seca no Norte e no Nordeste, com destaque para o aumento da área de seca extrema no Estado do Amazonas, e o surgimento de áreas de seca grave na Bahia, Alagoas e Sergipe.

A falta de chuva impede que os reservatórios que fornecem água para as casas dos moradores sejam abastecidos. Por isso, diferentes regiões dependem do carregamento de caminhões de abastecimento de água, provenientes da Prefeitura Municipal, para que consigam ter água potável e possam assim, realizar as atividades diárias.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 22,47% da população de Poções reside na zona rural, número que corresponde a 10.535 habitantes. Já no que diz respeito aos dados relativos ao saneamento básico do município, especificamente à distribuição de água, 18,45% da população não é beneficiada com um sistema de abastecimento de água, o que representa 8.651 habitantes. Essa é a realidade da moradora da zona rural, Maurina Moreira de Jesus, que enfrenta, com frequência, problemas com a falta de água e quando necessita solicitar um caminhão-pipa para o poder público, chega a ficar dias sem água: “não pode cozinhar, não pode lavar, não pode nada”.

A dona de casa, Jovina de Jesus Lemos, também reside na região da Pedra Preta e compartilha de dificuldades semelhantes às de Maurina Moreira de Jesus. Ainda que tenha uma barragem perto do local onde mora, e uma bomba que possibilita o abastecimento da sua residência, já aconteceram casos em que ficou sem água. Em momentos como esse, Jovina de Jesus Lemos procurou o poder público a fim de garantir o seu direito de ter água de qualidade dentro de casa. 

O abastecimento e acesso à água potável faz parte do conjunto de medidas que compõem o saneamento básico, direito social garantido pela Constituição Federal, apesar disso, Jovina de Jesus Lemos explica que demorou para receber a água e ficou impossibilitada de fazer tarefas simples da sua rotina.

O estudante, Juscelio Novaes, morador da Fazenda Jacutinga, conta que a falta de água é algo constante e que a sua região também sofre com a demora para receber algum tipo de abastecimento do poder público. Juscelio Novaes já chegou a comprar água por serviços particulares, a fim de suprir as necessidades da sua família. A moradora da Lagoa do João, Edinalia dos Santos Fonseca explica que a falta de água já se tornou algo comum, e quando os reservatórios se esvaziam, a única alternativa é esperar os caminhões pipa do poder público.

A falta d’água também foi motivo de reivindicação de moradores da região da Boa Sorte na sessão da Câmara de Vereadores ocorrida na primeira semana de dezembro (04/12/23), disponível no canal de transmissão

Segundo moradores da região da Pedra Preta, as chuvas do início do mês de janeiro não foram suficientes para encher os reservatórios, por isso eles ainda precisam da água dos caminhões de abastecimento para o uso e consumo. 

Barragem após as primeira chuvas de janeiro. A água não serve para consumo, apenas para uso

O Site Coreto procurou a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente, por meio do secretário Jaimilson Moreira, para entender como acontecem os pedidos de água para o abastecimento das regiões da zona rural e o porquê moradores da zona rural como Maurina Moreira de Jesus, Jovina de Jesus Lemos, Juscelio Novaes e Edinalia dos Santos Fonseca, precisam esperar tanto tempo para conseguirem ter acesso a água, no entanto, até o momento da publicação da matéria não tivemos retorno do responsável pela pasta. 


* A matéria foi produzida pelos alunos do Ensino Médio do Colégio Estadual Dr. Roberto Santos como produto final das oficinas do .Con- Núcleo de Educação do Site Coreto e supervisionada pela equipe de jornalismo do Coreto, após as oficinas que foram realizadas entre os dias 18 de outubro e 10 de novembro e entregue em dezembro do ano passado. (Clique aqui e saiba mais sobre o projeto).

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