No próximo domingo (14/09), o terreiro de candomblé Àṣẹ Igbayin realizará a palestra Orí, espiritualidade e saúde mental com o psicólogo Adriel Áquila Santos Brito e o Bàbálórìṣà Bruno ti Logun Éde. O evento acontece a partir das 15h, é gratuito e aberto a toda comunidade externa e aos membros do terreiro Àṣẹ Igbayin, localizado à Rua C, número 433, no Loteamento Santo Expedito, Bairro Alto da Vitória.
A palestra faz parte das ações do Setembro Amarelo e visa discutir a importância do cuidado com a vida e com a saúde mental. “Quando se fala em saúde mental, precisamos entender que nosso Orí (cabeça) é responsável tanto por nossa vitória quanto por nossa derrota. O terreiro de candomblé, espaço religioso, compreende que para termos sucesso na vida é necessário ter um (Orí) estruturado, alimentado e estabilizado. Por esse motivo, o espaço religioso foca no cuidado com a saúde mental”, conta o babalorixá Bruno Pacheco.
O babalorixá afirma que o terreiro já oferece apoio sociorreligioso e caminha para disponibilizar também acompanhamento psicológico com um profissional da área. “Tenho dialogado com profissionais, bem como apresentado projetos às autoridades para que seja instalada no terreiro uma rede de apoio sócioemocional, não somente para os membros da comunidade religiosa, mas também para toda comunidade externa”.

O Àṣẹ Igbayin
O professor de língua portuguesa, mestre e doutorando em Letras: linguagens e representações e líder espiritual, Bruno Pacheco, é o fundador do terreiro de candomblé Àṣẹ Igbayin. “O Àṣẹ surgiu a partir de um pedido espiritual para que fosse um ponto de apoio religioso à comunidade poçoense. Esse terreiro de candomblé de nação ketu, descendente da tradição do Opô Afonjá, representa a preservação e a manutenção da herança africana na nossa cidade”, explica.


O terreiro também surge como um espaço de valorização e conservação da cultura afro-brasileira no município. Além disso, práticas como a luta contra o racismo religioso e o combate à homofobia, também fazem parte das pautas defendidas pelo terreiro. “O Àṣẹ Igbayin também volta para questões socioeducacionais, promovendo ações que contribuem para o crescimento de diversas pessoas”, relata o babalorixá.
O líder religioso afirma que o seu desejo é que a população reconheça os terreiros como espaços de resistência, cultura e fé. “Todo terreiro possui na sua essência uma ancestralidade que luta para o melhor, independente do sujeito que busca apoio.” Para ele, a comunidade pode colaborar com as ações divulgando o evento e “quebrando a ideia de que terreiro de candomblé é um lugar negativo”.