Mudanças no trânsito em torno da feira e praças centrais de Poções já estão em vigor

Alterações incluem novos sentidos de circulação, rotatórias e sinalizações para organizar o tráfego no centro da cidade, medidas são necessárias, mas não contemplam todas as demandas do trânsito na cidade
Por Nataly Leoni
Publicado em 17/09/2025

Desde o dia 8 de setembro, a cidade de Poções adotou mudanças no trânsito, abrangendo o entorno da feira livre e da Praça do Divino. As alterações,  definidas em decreto pela prefeitura municipal, incluem novos sentidos de circulação, proibição de conversões e implantação de sinalizações, com o objetivo de melhorar o tráfego e organizar o uso do espaço público.

Entre as mudanças, está a adoção de mão única em vias como a Rua Antenor, a Rua Rui Barbosa, a Rua Samuel J. de Abreu e a Av. Santo Antônio, que antes permitiam circulação nos dois sentidos. Também foram implantadas rotatórias em pontos de grande fluxo, como na Praça do Divino e na Rua Régis Pacheco. 

Além disso, alguns trechos no entorno do Mercado Municipal e da Praça Monsenhor Honorato passam a ter novos sentidos de circulação, exigindo maior atenção dos motoristas que utilizam essas vias com frequência. Outras ruas, como a 26 de Junho e a Avenida Cônego Pithon, permanecem em mão dupla, mas com novas regras de circulação, como restrições de mudanças de direção e pontos de parada. De acordo com o decreto, também foram implantadas placas de “pare” e “proibido estacionar” em diferentes pontos da cidade, especialmente nas áreas de maior fluxo de veículos e pedestres.

Mapa com as mudanças no trânsito- reprodução

O trânsito do município

A cidade de Poções ainda não faz parte do Sistema Nacional de Trânsito (SNT), estabelecido em 1997 por meio do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), quando a responsabilidade de garantir o direito de ir e vir com fluidez e segurança passou a ser de cada município. 

Dessa forma, o fluxo de veículos, pedestres e animais, que compõem o trânsito de Poções não é municipalizado, ou seja, não possui um órgão específico para realizar a sua organização, e nem possui uma autoridade adequada para sua fiscalização. Por isso, a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente ficou responsável por implementar essas alterações, levando em conta o fato de que a maior parte delas foram feitas na área da feira livre, que é de responsabilidade desse órgão de acordo com o organograma do município.

As mudanças foram feitas por meio da criação de uma comissão e estão sendo planejadas há cerca de quatro meses. “A comissão foi criada com membros de vários setores. Câmara de vereadores, polícia, guarda municipal, vários setores para seguir o melhor caminho e todas as decisões foram feitas através de votações”, afirma Jasiel Martins, diretor de agricultura. De acordo com ele, inicialmente houve reuniões abertas para ouvir as demandas da população, principalmente de feirantes e comerciantes da área da feira, depois essas informações foram passadas ao engenheiro responsável para que a viabilidade das propostas fosse analisada.

As alterações atendem a reivindicações da população, mas também incluem propostas apresentadas por vereadores, entre eles Andinho Santos, que destaca o aumento no fluxo de veículos e pedestres em razão do crescimento da cidade como um dos principais motivos para a reorganização do trânsito. “Poções é uma cidade micro pólo na região sudoeste, onde diariamente pessoas visitam na busca de serviços e também na compra de produtos no comércio local”, afirma. 

O feirante Alex Silva acredita que as mudanças vão melhorar o fluxo de veículos e pedestres na feira livre. “Já não tinha vagas disponíveis para os clientes pararem nas barracas e comprarem, estava muito desorganizado”. Alex Silva acrescenta que, com a circulação mais fluida e a possibilidade de estacionamento, as vendas também tendem a crescer.

No entanto, Alex Silva ainda se preocupa com a segurança dos pedestres na área da feira, principalmente nos dias com um maior fluxo de veículos. “Seria interessante reforçar a sinalização, colocar faixa de pedestres, ou até mesmo agentes de trânsito em dias movimentados”, diz o feirante.  

Assim como Alex Silva, o comerciante Marcelo Santos acredita que, embora as mudanças possam causar transtornos no início, com o tempo devem contribuir para melhorar o tráfego na cidade. “Vejo que é o momento certo para implementar algo que desafogue o trânsito, principalmente na área comercial da nossa cidade”, diz. Além disso, o comerciante também acredita que se a população tiver uma boa adesão às alterações, assim como na feira, o movimento no comércio pode aumentar. “Com um maior fluxo de automóveis e mais estacionamentos rotativos, haverá um aumento significativo no fluxo de clientes em nossos comércios”.

Já o mototaxista Charles Lopes, que atua na profissão há 12 anos na cidade, afirma que de fato algumas mudanças eram necessárias. No entanto, ele acredita que outras acabam dificultando o trabalho dos mototaxistas, como o bloqueio do acesso a algumas vias. “A gente tem que dar uma volta de quase um km até chegar ao ponto. Isso acabou nos prejudicando até o momento”, afirma. Charles Lopes acrescenta ainda que nesse primeiro momento o enfoque deve ser dado para ações de conscientização. “Tem que estar mais focado nessa questão de informar as pessoas para que elas tenham uma noção, que aprendam e venham a  ter essa cultura, respeitando a sinalização, não só o pedestre, mas também os condutores como um todo.”

Para o mototaxista, num primeiro momento, as mudanças podem gerar problemas pontuais de adaptação, mas defende que esse período inicial sirva de aprendizado para quando novas alterações forem planejadas. “Espero que o município possa ser um pouco mais flexível. Ver o que de fato é positivo e o que de fato foi negativo, só na prática pra saber se vai dar certo ou não. Vai ter essa análise, e eu espero que eles possam adaptar as mudanças para que o trânsito venha a fluir melhor e que não prejudique ninguém”, afirma. 

A realização do projeto na parte de conscientização e implantação de sinalização vertical ficou sob responsabilidade da Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente. No entanto, a fiscalização fica por conta da 79° Companhia de Polícia Militar e da Guarda Municipal. “Contidianamente eles passam um relatório para ver como é que está a situação”, conta Jasiel Martins. 

O diretor de agricultura destaca também o começo da aplicação de multas para quem não seguir as novas regras. “Quem pode multar é a Polícia Militar, por exemplo, se estiver estacionado no lugar errado, pode gerar multa, se estiver andando no sentido contra a mão, pode gerar multa”, explica. Andinho Santos reitera que inicialmente a prioridade serão as medidas educativas. “Ações mais radicais serão tomadas pelos órgãos competentes”, diz.

O futuro do trânsito em Poções

Embora essas alterações tenham iniciado na cidade, o comerciante Marcelo Santos ressalta que outras medidas também devem ser pensadas a longo prazo, capazes de ampliar os resultados esperados para a mobilidade urbana na cidade. “Acredito que a implementação de uma zona azul seria um grande passo, pois traria um trânsito mais organizado, com sinalizações claras, marcações de estacionamento, vagas específicas para carga e descarga […], além de sinaleiras”. O comerciante afirma que mudanças como essas podem melhorar não só o tráfego, mas também podem auxiliar no desenvolvimento econômico e qualidade de vida da população. 

Segundo Andinho Santos, a prefeitura municipal está fazendo uma movimentação junto ao governo do estado para que mais mudanças sejam feitas no tráfego da cidade. “Para que venha instalar sinaleiras e fazer um estudo mais técnico onde serão colocados os semáforos nos pontos estratégicos que o estudo indicará”, conta. O vereador destaca ainda que é necessário implementar medidas educativas para que a população entenda também a importância de respeitar as novas regras de circulação e adotar práticas que contribuam para um trânsito mais seguro e organizado.  

Jasiel Martins explica que as mudanças ainda não são definitivas. Segundo ele, as alterações foram implantadas com base em estudos de viabilidade e funcionarão como um teste inicial. “Vamos implementar isso durante um período e, após isso, vamos levar as dificuldades para a comissão”, afirmou. Jasiel acrescentou ainda que, se for necessário, ajustes poderão ser feitos em propostas futuras.

Jasiel Martins destacou ainda que, após o período de teste, a população será ouvida novamente para avaliar os resultados e opinar sobre as mudanças. “Vai ser um pouco complicado nesse primeiro momento até se adequar, até aprender, vai criar transtorno, mas a gente está aqui disposto a daqui uns dias  sentar e ouvir novamente”.

Além dessas alterações, o diretor de Agricultura informou que já foram iniciados estudos para a municipalização do trânsito, levando em conta  a tendência de crescimento contínuo da quantidade de veículos na cidade.  “É um estudo que a gente já está fazendo em outros setores para tentar municipalizar, para que Poções consiga evoluir na parte de viabilidade do trânsito”, conta.

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