A lutadora poçoense Jeisla Chaves enfrentará a argentina Sofia Montenegro nesta terça-feira (23/09), no Dana White’s Contender Series (DWCS) 2025. O evento acontecerá no UFC Apex, em Las Vegas (EUA), a partir das 21h (horário de Brasília). A luta, válida pela divisão peso-mosca feminino, pode garantir contratos com o Ultimate Fighting Championship (UFC) aos vencedores que se destacarem.
Jeisla Chaves é campeã de MMA (Mixed Martial Arts), mas iniciou seu contato com o universo das artes marciais quando atuou como ring girl, em eventos de lutas. Apesar de não gostar de assistir aos combates, a influência de amigos lutadores e os benefícios físicos das artes marciais a levaram a começar a treinar.
Após um mês de treino, Jeisla recebeu o convite para participar do mesmo evento no ano seguinte, desta vez como atleta, estreando no muay thai amador.
A lutadora falou sobre sua trajetória no esporte, suas conquistas e sonhos no Histórias que te contam da janela, Podcast do Site Coreto.
Preparação para o combate
Com foco na trocação, Jeisla explica que a rotina não difere muito do que já está acostumada, mas destaca a ênfase nesse aspecto por conta do perfil do evento, que valoriza a performance dos atletas na aplicação de golpes em pé. “Como eu gosto mesmo de trocar, é uma coisa que não mudou na minha preparação. Claro que treinando o chão também, a gente está preparado para o que vier. Porém, é um jogo que eu gosto de fazer, a trocação. O nosso maior foco para essa luta”, explicou a atleta.

Para Jeisla, esse evento funciona como “a copa do mundo do MMA” e participar da competição é como uma entrevista de emprego para os atletas da modalidade, uma oportunidade de impressionar Dana White, presidente do UFC e o mais influente empresário da indústria das artes marciais. “A gente tem que impressionar, mostrar que está preparada para chegar ao UFC e conseguir o contrato que é o sonho de todo atleta”, afirma.
Expectativas: no ring e nos sonhos
A atleta deseja ser contratada, construir história e alcançar o degrau máximo: o cinturão do UFC. Para ela, o fato de enfrentar uma adversária argentina torna o evento “um clássico”, aumentando ainda mais a sua motivação.
“É claro que, quando chegar lá, vai dar aquele friozinho na barriga. Você está na maior organização do mundo, fazendo aquela luta num país que não é seu, que você não está habituado, mas estar representando uma nação é uma motivação para mim, porque eu sei que eu não vou estar lá só”, expressa Jeisla.
Ter Sofia Montenegro, lutadora conhecida como “La Bruja”, como adversária deixou Jeisla contente, pois, ao assistir a algumas de suas lutas, percebeu que ambas compartilham a preferência pela trocação. “Acho que vai ser uma luta muito bonita, por ser duas mulheres saindo na porrada mesmo, em busca de um contrato. É uma atleta que troca bem, tem um bom jogo em pé. Duas trocadoras em uma trocação franca, tenho certeza que vai ser muito sangue, vai ser muito bonita”, explica.

Lutando pelo que deseja
A Braba deseja construir um legado focado na presença da mulher no universo das lutas, pois quando chegou a sua academia, ela era a única mulher. Hoje já divide o espaço com várias meninas que a tem como exemplo e inspiração. Além disso, afirma a valorização da feminilidade, pois, para ela, é importante também mostrar que a mulher não precisa ser masculinizada para ser uma atleta de MMA. “A gente pode chegar lá, trocar porrada, sair na mão e ser feminina”, pontua.
Sair de uma cidade do interior para disputar um contrato com o UFC faz Jeisla refletir sobre a importância de persistir em busca daquilo em que acredita. “Quando você quer e corre atrás, faz abdicações para chegar onde você quer estar, através de suor e luta, você consegue. Basta você querer e ter pessoas também do seu lado, que te apoiam”.