Nesta quinta-feira (23/10), a Operação Intercessor, realizada pela Polícia Federal (PF) em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), foi deflagrada em Poções. A operação investiga uma organização criminosa suspeita de desviar e lavar recursos públicos federais destinados à administração municipal. Segundo as investigações, o prejuízo estimado aos cofres públicos ultrapassa R$ 12 milhões.
Entre os investigados estão o ex-prefeito e esposo da atual prefeita, Otto Wagner de Magalhães; a prefeita reeleita Irenilda Cunha (PCdoB), mais conhecida como Dona Nilda; além de ex-funcionários públicos e outros envolvidos em municípios da Bahia como Vitória da Conquista, Encruzilhada e Barreiras.
De acordo com a PF e a CGU, o esquema funcionou entre 2021 e 2023, período em que Otto Magalhães ocupava cargo de confiança na prefeitura. O grupo atuava por meio de contratos fraudulentos de terceirização de mão de obra, financiados com recursos do Fundeb, do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS).
As irregularidades detectadas envolvem ausência de estudos técnicos, pesquisa de preços inadequada, majoração de valores contratuais e prestação fictícia de serviços. Ainda segundo os investigadores, a organização criminosa mantinha empresas de fachada e utilizava familiares e intermediários financeiros para lavar o dinheiro desviado, com movimentações bancárias incomuns e ocultação de patrimônio.
Dr. Otto, como é conhecido, já havia sido condenado na justiça por improbidade administrativa
Durante as buscas, Otto Magalhães foi preso em flagrante por porte ilegal de arma de fogo, sendo apontado como um dos principais articuladores do esquema investigado.
Em agosto deste ano, a justiça condenou o ex-prefeito, a pedido do Ministério Público Estadual (MP-BA), por improbidade administrativa. A decisão judicial apontou que, entre 2013 e 2016, ele autorizou pagamentos ilegais a servidores municipais, causando prejuízo milionário aos cofres públicos.
Em nota, divulgada nos stories da rede social Instagram da prefeita, eles afirmam que: “Diante dos fatos registrados hoje, informamos que o procedimento em curso encontra-se sob segredo de justiça. Por esse motivo, não temos acesso aos detalhes da investigação neste momento.
Reafirmamos nossa total disposição para colaborar com as autoridades competentes em tudo o que se fizer necessário. Temos a consciência tranquila e confiamos no devido processo legal.
Seguimos trabalhando com honestidade, transparência e responsabilidade, com o compromisso de continuar servindo à população e de melhorar a vida do nosso povo.
Agradecemos a compreensão de todos e reforçamos que, tão logo haja informações oficiais que possam ser compartilhadas, serão divulgadas pelos canais apropriados.
Assinam a nota a prefeita Irenilda e o secretário de administração Otto Magalhães. A reportagem tentou contato com a assessoria de Otto Magalhães e da prefeita Dona Nilda, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.
Município possui histórico negativo nas prestações de contas do TCM-BA
Operações como essa deflagrada, refletem o histórico negativo que o município acumula ao longo dos anos no Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia (TCM-BA). Isso porque, ao observar a tabela de prestação de contas, disponível no site do tribunal, é possível verificar que a última vez que o município teve as contas aprovadas sem ressalvas, foi em 1996, há 29 anos.

Dados de prestação de contas do município por ano (Fonte: Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia)
Desde então, o município já teve a prestação de contas reprovadas sete vezes: entre 2010 e 2012, no mandato de Luciano Mascarenhas; entre 2014 e 2016, no mandato de Otto Magalhães; e em 2019, durante o mandato de Leandro Mascarenhas.